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Campbell Prediction System
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Comportamento do fogo · Apoio à decisão

CPS Campbell Prediction System

O CPS é uma ferramenta de leitura operacional do comportamento do fogo. Ajuda a perceber onde o incêndio pode acelerar, mudar de comportamento e onde existem oportunidades mais seguras para o controlo.

O Campbell Prediction System não é um programa informático nem uma fórmula fechada. É uma forma simples e estruturada de observar o incêndio, ler o terreno e antecipar mudanças prováveis no comportamento do fogo.

O que é o CPS?

O CPS é usado para apoiar decisões em incêndios rurais, sobretudo quando é necessário compreender rapidamente se o fogo está a trabalhar com ou contra os factores do terreno e da meteorologia local.

A ideia central é observar o fogo em relação a três forças principais: declive, vento e exposição. Quando estas forças favorecem a propagação, o fogo tende a ganhar intensidade, velocidade e capacidade de projeção.

Declive O fogo acelera quando progride encosta acima e pré-aquece o combustível acima da frente.
Vento O vento inclina a chama, aumenta o pré-aquecimento e pode transportar projeções.
Exposição Encostas mais expostas ao sol tendem a apresentar combustíveis mais secos e disponíveis.

Alinhamento das forças

O conceito mais conhecido do CPS é o alinhamento das forças. Quanto mais fatores favorecem a propagação, maior tende a ser o potencial de comportamento extremo.

0/3 Pouco alinhamento. O fogo pode ter menor intensidade relativa, mas deve ser monitorizado.
1/3 Um fator favorável. Pode haver aceleração localizada e mudança gradual.
2/3 Dois factores alinhados. A atenção deve aumentar e o ataque direto pode tornar-se mais difícil.
3/3 Pleno alinhamento. Maior velocidade, intensidade, projeções e menor margem de segurança.
A pergunta operacional não é apenas “onde está o fogo?”, mas sim: “onde vai o fogo ficar alinhado e onde vai mudar de comportamento?”.

Exposição, hora do dia e combustível disponível

A exposição solar influencia a disponibilidade do combustível. A mesma encosta pode apresentar comportamento diferente ao longo do dia, dependendo da orientação, hora, sombra, humidade e aquecimento acumulado.

  • Encostas expostas ao sol podem secar mais rapidamente.
  • Combustíveis finos respondem rapidamente a alterações de temperatura e humidade.
  • Áreas em sombra podem manter maior humidade relativa durante parte do dia.
  • A mudança de exposição pode criar pontos de alteração do comportamento do fogo.

Terços da encosta e pontos de mudança

A leitura da encosta é fundamental. O comportamento do fogo pode mudar entre o terço inferior, médio e superior, sobretudo quando a topografia canaliza vento, acumula combustível ou aproxima a frente de uma cumeada.

Leitura operacional O terreno indica onde o fogo pode mudar

Vales, ravinas, cumeadas, mudanças de exposição e variações de declive devem ser lidos como possíveis pontos de transição do comportamento.

Terço inferiorZona de arranque, acumulação de combustível e início de progressão ascendente.
Terço médioPossível aceleração por declive, vento local e continuidade do combustível.
Terço superiorZona crítica de aproximação a cumeadas, projeções e mudança de vento.

Oportunidades de controlo

O CPS não serve apenas para prever agravamentos. Também ajuda a identificar oportunidades: locais onde o fogo perde alinhamento, onde existem barreiras naturais ou onde a intervenção pode ser mais segura e eficaz.

  • Flancos com menor intensidade.
  • Zonas onde o fogo passa de exposição quente para exposição fria.
  • Linhas de água, caminhos, estradas ou zonas rochosas.
  • Pontos de ancoragem para ataque indireto.
  • Locais adequados para posicionamento de máquinas de rasto.
  • Áreas onde a intervenção directa pode ser substituída por manobra indirecta.

Aplicação táctica

A análise CPS pode apoiar diferentes decisões no teatro de operações. O objectivo é transformar observação em ação: onde trabalhar, quando trabalhar, com que margem de segurança e com que objetivo.

Situação observada Leitura CPS Possível decisão
Fogo a subir encosta com vento favorável Declive e vento alinhados, com potencial de aceleração. Evitar ataque direto inseguro; procurar flancos, ancoragens e zonas de perda de alinhamento.
Frente aproxima-se de cumeada Possível alteração de vento, projeções e aceleração no topo. Reposicionar equipas, confirmar LACES e evitar exposição em zona crítica.
Fogo entra em ravina Canalização de vento e aumento rápido da intensidade. Antecipar propagação, evitar permanência em zonas de escape limitado.
Fogo perde exposição solar favorável Possível redução de intensidade relativa. Avaliar oportunidade para contenção, consolidação ou ataque pelo flanco.
Existe estrada ou zona rochosa à frente do fogo Possível barreira ou ponto de ancoragem. Integrar máquina, equipas e comunicação para linha de defesa.

Limitações

O CPS não substitui experiência, meteorologia, informação cartográfica, observação directa ou comando operacional. É uma ferramenta de leitura rápida que deve ser validada continuamente com a evolução real do incêndio.

  • Não é um modelo matemático de simulação.
  • Depende da qualidade da observação no terreno.
  • Deve ser actualizado quando muda vento, combustível, topografia ou estratégia.
  • Não elimina a necessidade de margens de segurança e rotas de fuga.

Conclusão

O Campbell Prediction System ajuda a transformar a leitura do terreno e do comportamento do fogo em decisões mais seguras. A sua utilidade está na simplicidade: observar declive, vento e exposição, identificar alinhamentos e procurar oportunidades de controlo.

Em contexto operacional, o CPS deve conduzir a uma pergunta prática: onde é seguro trabalhar e onde é provável que o fogo mude?